Na luta contra a dengue, o Sistema Único de Saúde (SUS) dará início à aplicação da vacina de dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan a partir do dia 17 de janeiro. A imunização começará de forma experimental em três cidades brasileiras: Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), no dia 17, e Botucatu (SP), no dia 18.
O objetivo dessa primeira fase é avaliar os resultados da vacina com a imunização de ao menos 50% da população desses municípios. O público-alvo inicial será formado por pessoas com idade entre 15 e 59 anos.
De acordo com o Ministério da Saúde, essa estratégia utilizará parte das 1,3 milhão de doses iniciais produzidas pelo Instituto Butantan. Além da população geral, o primeiro lote também será destinado a profissionais da Atenção Primária à Saúde, que atuam diretamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
O Ministério da Saúde informou ainda que, com o aumento da produção de doses — resultado da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines —, a vacinação será gradualmente ampliada para todo o país.
A estratégia prevê iniciar pela população de 59 anos, avançando progressivamente até o público de 15 anos, conforme a disponibilidade de doses. Atualmente, o SUS já oferece uma vacina contra a dengue em duas doses, produzida no Japão, voltada para adolescentes de 10 a 14 anos.
Nesta semana, o Instituto Butantan divulgou novos dados que reforçam a eficácia do imunizante. Segundo pesquisa publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, a vacina demonstrou capacidade de reduzir a carga viral em pessoas infectadas pelo vírus da dengue, o que geralmente está associado a quadros menos graves da doença.
O estudo analisou amostras de 365 voluntários que apresentaram dengue sintomática entre 2016 e 2021, em 14 estados brasileiros, comparando grupos vacinados e não vacinados. Mesmo nos casos em que houve infecção após a vacinação, os participantes imunizados apresentaram carga viral significativamente menor.
A vacina do Instituto Butantan foi aprovada pela Anvisa após a análise de cinco anos de acompanhamento de cerca de 16 mil voluntários. Para a faixa etária de 12 a 59 anos, o imunizante apresentou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra formas graves da dengue e casos com sinais de alarme.
A expectativa é que a nova vacina represente um avanço importante no controle da dengue no Brasil, especialmente diante do aumento de casos registrados nos últimos anos.
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