A Índia registrou pelo menos cinco casos do vírus Nipah entre profissionais de saúde do estado de Bengala Ocidental neste mês de janeiro. As informações foram divulgadas pela News-18, rede afiliada da CNN no país. Diante dos relatos, aeroportos de diversos países asiáticos reforçaram as medidas de vigilância sanitária, com retomada de checagens de saúde semelhantes às adotadas durante a pandemia de Covid-19. Entre eles estão Tailândia, Nepal e Taiwan.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Nipah é um vírus zoonótico — ou seja, pode ser transmitido de animais para seres humanos. A infecção também pode ocorrer pelo consumo de alimentos contaminados ou pela transmissão direta entre pessoas.
O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto envolvendo criadores de suínos e pessoas que tinham contato próximo com os animais, na Malásia e em Cingapura. Desde então, novos surtos foram registrados principalmente no sul e sudeste da Ásia, com altos índices de gravidade.
De acordo com a OMS, a infecção pelo vírus Nipah pode variar de casos assintomáticos a quadros graves. Entre as manifestações iniciais estão:
Com a evolução da doença, o paciente pode apresentar tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos, indicando encefalite aguda (inflamação do cérebro). Também há registros de pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo dificuldade respiratória aguda.
Nos casos mais severos, a doença pode evoluir rapidamente para convulsões e coma em um período de 24 a 48 horas. Entre os sobreviventes da encefalite aguda, cerca de 20% podem apresentar sequelas neurológicas permanentes.
A taxa de letalidade do vírus Nipah é considerada alta, variando entre 40% e 75%, dependendo do surto e das condições de resposta em saúde.No primeiro surto registrado na Índia, em 2018, 21 das 23 pessoas infectadas morreram. Já nos surtos seguintes, em 2019 e 2021, foram registrados dois óbitos.
Atualmente, não existem medicamentos nem vacinas específicas para o tratamento do vírus Nipah. O cuidado com os pacientes é baseado em tratamento de suporte, com foco no controle das complicações respiratórias e neurológicas.
Autoridades de saúde reforçam a importância da vigilância epidemiológica, do controle rigoroso de infecções em ambientes hospitalares e da informação correta à população como principais estratégias para conter novos surtos.
Com informações de Renata Souza (CNN Brasil), Rhea Mogul (CNN) e Reuters.
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