Prados se prepara para viver uma noite de memória, reflexão e resgate histórico no próximo dia 18 de abril. A Lira Ceciliana, em parceria com a Braia Produções, promove a exibição gratuita do documentário “Ambrósio, rei do Campo Grande: o rei esquecido de uma história roubada que ainda ecoa”, dirigido por Bruno Maia.
O filme traz à tona a história de Ambrósio, um importante líder negro do século XVIII que comandou milhares de quilombolas no sertão do Campo Grande, região marcada por intensas resistências contra as violentas investidas da coroa portuguesa. Ao longo dos séculos, sua trajetória foi apagada da história oficial de Minas Gerais e é justamente esse silêncio histórico que o documentário busca romper.
Mais do que recontar fatos, a obra propõe uma reflexão profunda sobre temas como reparação histórica, luta no campo, questões quilombolas e violência simbólica.
A ligação de Prados com essa história A relação de Prados com o tema vai além da exibição. A cidade está diretamente conectada aos acontecimentos retratados no filme.
Registros históricos apontam que, em 1746, moradores da então freguesia de Prados foram convocados pelo governador Gomes Freire para integrar expedições com o objetivo de atacar quilombos no sertão do Campo Grande, região que hoje corresponde a áreas do oeste, sudoeste de Minas Gerais e Triângulo Mineiro.
Anos depois, em 1769, o coronel Inácio Corrêa Pamplona, uma das figuras influentes da época, partiu de sua fazenda rumo ao Campo Grande. Em seus relatos, afirmou ter encontrado o famoso Quilombo do Ambrósio destruído e em ruínas, descrevendo o líder como “maligno”, evidenciando a visão distorcida perpetuada ao longo da história.
Pesquisa profunda e produção cuidadosa O documentário é resultado de uma investigação rigorosa, construída a partir de fontes primárias e secundárias, mapas históricos, obras clássicas e estudos contemporâneos, além da memória popular.
As gravações aconteceram em locais diretamente ligados à trajetória de Ambrósio e aos quilombos do Campo Grande, incluindo Prados, São João del-Rei, Lavras, Formiga, Cristais e Ibiá.
A produção também se destaca pelas dezenas de ilustrações originais do artista Thiago Brito, que ganham vida em animações ao longo do filme. A trilha sonora é assinada por Bruno Maia e Ivan Vilela, reforçando a atmosfera sensível e impactante da narrativa.
Segundo o diretor:
“Prados é uma das locações do filme. Fizemos uma entrevista muito importante dentro da matriz, ficou muito bonito, além de algumas cenas pela cidade que dialogam diretamente com o tema.”
Presença do diretor e bate-papo especial Além da exibição, o público terá a oportunidade de participar de um momento único: o diretor Bruno Maia estará presente e, após a sessão, conduzirá uma conversa sobre os bastidores da produção, a pesquisa realizada e a importância de resgatar a história de Ambrósio.
Um convite à reflexão A exibição não é apenas um evento cultural, é um convite para revisitar o passado, questionar narrativas oficiais e dar voz a histórias que foram silenciadas.
A entrada é gratuita, e toda a comunidade está convidada a participar desse momento de aprendizado e conexão com a própria história.
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