Em muitas residências e estabelecimentos comerciais, a instalação elétrica ainda é tratada como um detalhe secundário. No entanto, erros aparentemente simples na escolha de disjuntores ou na montagem do quadro de distribuição podem representar riscos reais, que vão desde prejuízos financeiros até incêndios.
Esse é o alerta dos eletricistas Hilário e Samuel, da Elétrica Santo Inácio, que vêm lidando com uma realidade recorrente na cidade: corrigir instalações antigas ou mal executadas, onde os dispositivos de proteção não foram dimensionados corretamente.
“Disjuntor parece tudo igual, mas não é. Cada um tem uma função específica e uma capacidade diferente. Quando isso não é respeitado, o risco começa ali”, explica Hilário.
Além da escolha do dispositivo em si, o segredo de uma instalação segura está no equilíbrio exato entre o disjuntor e a espessura do fio. “O disjuntor e o cabo precisam andar sempre alinhados e bem dimensionados entre si, seguindo rigorosamente os critérios da norma NBR 5410. Se você colocar um fio fino conectado a um disjuntor muito forte, o fio vai derreter e queimar antes mesmo do disjuntor perceber o problema e desarmar”, complementam os eletricistas. Respeitar as bitolas corretas exigidas pela regulamentação técnica é o único caminho para garantir que o sistema funcione sem quedas de energia e com total segurança.
Ao contrário do que muitos imaginam, o disjuntor não foi criado para proteger eletrodomésticos. Sua função principal é proteger os cabos e o circuito elétrico contra sobrecargas e curtos-circuitos. Em outras palavras, ele atua como uma barreira de segurança para evitar que a fiação aqueça além do limite suportado.
Samuel reforça que o problema começa justamente na escolha inadequada desses dispositivos. “Um disjuntor muito forte para um circuito que consome pouco pode ser perigoso. Se houver aquecimento, ele pode não desarmar, e isso pode levar até a um incêndio”, afirma.
Por outro lado, o uso de um disjuntor com capacidade inferior à necessária também traz transtornos. Nesses casos, o equipamento desarma com frequência, mesmo sem haver falha real, o que compromete o funcionamento normal da instalação.
Outro ponto crítico destacado pela dupla é o uso incorreto dos tipos de disjuntores. Existem modelos monofásicos, bifásicos e trifásicos, cada um projetado para uma configuração específica da rede elétrica. Improvisações nesse sentido são perigosas.
“Já encontramos situações em que foram usados dois disjuntores monofásicos para simular um bifásico. Isso é um erro grave. Um pode desligar e o outro continuar energizado, o que aumenta o risco de choque elétrico e até de queima de aparelhos”, alerta Samuel.
Além da proteção, o disjuntor também desempenha um papel importante na organização do sistema elétrico. Ele permite isolar circuitos específicos, facilitando manutenções e a substituição de equipamentos com mais segurança.
Mas, segundo os profissionais, tudo começa no planejamento. O quadro de distribuição, responsável por concentrar e organizar os circuitos da casa ou empresa, precisa ser dimensionado de acordo com a demanda de uso do imóvel.
Quando há um projeto elétrico bem elaborado, essa distribuição já vem definida, considerando a potência dos aparelhos, a divisão dos circuitos e a segurança da instalação como um todo. O problema, segundo eles, é que muitas construções ainda não seguem esse padrão.
“Hoje, boa parte do nosso trabalho tem sido corrigir instalações antigas ou mal feitas. São casos em que não houve planejamento ou onde foram usados materiais inadequados”, relata Hilário.
Apesar dos riscos envolvidos, o investimento em segurança elétrica é relativamente acessível. Disjuntores podem ser encontrados, em média, entre R$10 e R$100, dependendo do modelo e da capacidade, um custo baixo diante dos prejuízos que uma instalação inadequada pode causar.
A recomendação dos profissionais é clara: priorizar sempre a segurança e buscar orientação técnica qualificada na hora de montar ou revisar a instalação elétrica.
“Economia de verdade é fazer certo desde o início. Quando a instalação é bem planejada, você evita gastos futuros e garante a segurança da família”, conclui Samuel.
Em um cenário onde o consumo de energia cresce com o uso cada vez maior de equipamentos eletrônicos, a atenção aos detalhes da instalação elétrica deixa de ser opcional e passa a ser essencial.
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