Natural de Prados, Laíza Ribeiro Silva, de 35 anos, construiu uma trajetória marcada pela educação, pela pesquisa e pela tecnologia. Filha da enfermeira Nilce e do vereador Lourival, ela cresceu no município e estudou em escola pública antes de alcançar novos espaços na área acadêmica e profissional.
Hoje, Laíza é professora orientadora do primeiro ano do Inteli, instituição de ensino superior voltada à formação na área de tecnologia, onde foi a primeira professora contratada. No trabalho, acompanha estudantes durante o desenvolvimento de projetos e os orienta na busca por soluções, ajudando-os a desenvolver autonomia e capacidade para lidar com desafios.
A trajetória, no entanto, começou bem antes da chegada à instituição.
Ainda na adolescência, Laíza já tinha contato com a tecnologia. Em uma cidade de aproximadamente 9 mil habitantes, começou a consertar o próprio computador e, posteriormente, equipamentos de familiares e vizinhos. Foi nesse período que a computação passou a ser considerada como uma possibilidade profissional.
Quando a graduação em Ciência da Computação chegou a São João del-Rei, Laíza ingressou no curso. Durante a faculdade, porém, percebeu que seu interesse não estava apenas na programação.
A aproximação com a educação aconteceu durante um estágio no núcleo de educação a distância da instituição. Por dois anos, ela trabalhou com a plataforma Moodle, auxiliando professores e alunos e acompanhando de perto os desafios relacionados ao ensino por meio da tecnologia.
No trabalho de conclusão de curso, desenvolveu uma proposta para ensinar programação de maneira lúdica a estudantes do ensino médio. A experiência despertou o interesse pela pesquisa e abriu caminho para o mestrado e, posteriormente, para o doutorado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), em São Carlos, na área de computação aplicada à educação.
A relação com o Inteli começou ainda durante o mestrado, em 2020, quando Laíza foi convidada a participar de reuniões relacionadas à criação da instituição. Ela contribuiu inicialmente com discussões sobre a grade curricular e, posteriormente, passou a atuar no apoio acadêmico.
Em meio à pandemia, participou também do processo de autorização dos cursos junto ao Ministério da Educação. Pouco depois, foi contratada pela instituição.
Desde 2022, quando o Inteli começou a operar, Laíza atua como professora. Seu trabalho é baseado principalmente no acompanhamento dos estudantes durante projetos, ajudando-os a encontrar caminhos para resolver problemas sem simplesmente entregar as respostas.
A proposta de ensino da instituição utiliza a aprendizagem baseada em projetos, em que os alunos desenvolvem trabalhos relacionados a problemas reais e passam por ciclos de desenvolvimento, chamados de sprints.
É nesse processo que Laíza atua como orientadora, acompanhando o desempenho dos estudantes, oferecendo direcionamentos e também ajudando-os a compreender que erros fazem parte do processo de aprendizagem.
A atuação profissional de Laíza também está diretamente ligada às pesquisas que desenvolveu ao longo da formação acadêmica.
Durante o mestrado, pesquisou o uso de elementos de gamificação no ensino de crianças com autismo. O trabalho envolveu especialistas da área e testes realizados com crianças na APAE de São Carlos. A pesquisa resultou em uma patente depositada e registros de software, além de reconhecimento por instituições como FAPESP e CAPES.
No doutorado, em fase final, a pesquisa passou a investigar o uso da inteligência artificial para auxiliar professores na elaboração de feedbacks para estudantes, especialmente no ensino de matemática.
A proposta busca utilizar a tecnologia como ferramenta de apoio ao professor, mantendo a participação humana no processo. A partir das pesquisas realizadas, foi desenvolvido um modelo em que a inteligência artificial pode sugerir feedbacks a partir das atividades dos alunos, enquanto o professor permanece responsável por avaliar, aprovar ou modificar as orientações.
A pesquisa também considera a possibilidade de utilização da ferramenta em escolas com pouca infraestrutura tecnológica, permitindo que professores utilizem recursos de inteligência artificial como apoio ao acompanhamento dos estudantes.
Da curiosidade com computadores na adolescência à atuação na formação de estudantes de tecnologia, a trajetória de Laíza passa por diferentes etapas da educação e da pesquisa.
Hoje, além de professora orientadora do primeiro ano do Inteli, ela é mestra e doutoranda pelo ICMC-USP e também realizou estágio na Universidade de Lisboa, onde desenvolveu pesquisas relacionadas à gamificação e ao autismo.
A história mostra um percurso construído a partir da educação e da busca por novas formas de ensinar, conectando tecnologia, pesquisa e acompanhamento dos estudantes.
Para Prados, a trajetória representa também o reconhecimento de uma profissional que iniciou sua formação no município e hoje atua na formação de jovens que seguem caminhos dentro da área de tecnologia.
O Inteli é uma instituição de ensino superior voltada à formação na área de tecnologia e utiliza a aprendizagem baseada em projetos como parte de sua metodologia. A instituição oferece cursos relacionados a tecnologia, negócios e inovação.
Crédito da foto: Inteli
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