Prados se prepara para viver um momento de profunda emoção, memória e reconhecimento cultural neste sábado (17). Uma missa especial será celebrada em homenagem ao centenário de nascimento do maestro Adhemar Campos Filho, o inesquecível Adhemarzinho, um dos maiores gênios da história musical da cidade e referência da cultura mineira.
A celebração acontecerá na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, às 19h30, e contará com a participação da Orquestra e do Coro da Lira Ceciliana, instituição que se confunde com a própria trajetória de vida do maestro. A regência ficará a cargo de Adhemar Campos Neto, filho de Adhemarzinho e atual maestro da Lira, o que torna a homenagem ainda mais simbólica e carregada de significado.
Promovida pela diretoria da Lira Ceciliana, a missa tem como objetivo celebrar não apenas os 100 anos de nascimento do maestro, mas também sua contribuição incomparável para a música sacra, a tradição bandística e a identidade cultural de Prados. Mais do que uma cerimônia religiosa, o momento será um encontro entre gerações, unindo fé, arte e história no mesmo altar.
Falecido em 1997, Adhemarzinho permanece vivo na memória da cidade por meio de sua obra, de seus alunos e da própria Lira Ceciliana, que segue ativa e respeitada, mantendo acesa a chama de uma tradição iniciada ainda no século XIX. A presença do filho à frente da regência simboliza a continuidade desse legado, que atravessa o tempo e reafirma a importância da música como patrimônio coletivo.
A celebração é aberta a toda a comunidade, músicos, ex-alunos, admiradores e a todos que reconhecem em Adhemarzinho um verdadeiro ícone da cultura pradense.
Adhemar Campos Filho (1926–1997), carinhosamente conhecido como Adhemarzinho, foi uma das figuras mais emblemáticas da história cultural de Prados, Minas Gerais. Nascido em uma linhagem de músicos que remonta ao século XIX, ele herdou o talento e a regência da Lira Ceciliana de seu avô, Antônio Américo da Costa. Em 2026, seu legado ganha destaque especial com as celebrações de seu centenário de nascimento, reafirmando sua posição como um pilar da música sacra mineira e da tradição bandística brasileira.
Como maestro, compositor e pesquisador, Adhemarzinho elevou o nome de Prados no cenário musical nacional. Sob sua batuta, especialmente na década de 1960, a Lira Ceciliana conquistou importantes concursos em cidades como São João del-Rei e Juiz de Fora. Sua atuação ia além da regência: foi um incansável preservador do acervo musical barroco e colonial da região e um dos fundadores do Festival de Música de Prados, ao lado do maestro Olivier Toni.
Com formação musical orientada por nomes como Fernand Jouteux e aprimorada por intenso estudo autodidata em harmonia e contraponto, destacou-se como arranjador e instrumentista refinado. Seu maior legado, porém, talvez esteja na formação humana e musical de gerações de músicos, garantindo a continuidade da “escola de música” da Lira Ceciliana, fundada em 1858.
Adhemarzinho é lembrado não apenas pela excelência técnica, mas pela dedicação em unir música, fé e tradição. Sua trajetória transformou Prados em referência cultural e segue inspirando, cem anos após seu nascimento, todos aqueles que acreditam no poder da música como expressão de identidade e memória coletiva.
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