A Anvisa investiga 65 mortes suspeitas relacionadas ao uso das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil. Os dados, obtidos pela Agência Pública, abrangem o período de dezembro de 2018 a dezembro de 2025 e não incluem registros deste ano.
No mesmo intervalo, foram contabilizadas 2.436 notificações de eventos adversos associados a esses medicamentos, que variam de náuseas, vômitos e diarreia até casos classificados como “experiência de morte iminente”. Segundo a agência, uma única notificação pode reunir mais de um evento adverso e diferentes desfechos.
As canetas pertencem à classe dos agonistas de GLP-1, indicados principalmente para o tratamento de diabetes tipo 2, obesidade e gordura no fígado. Essas substâncias imitam o hormônio GLP-1, responsável por regular a glicemia e influenciar a sensação de saciedade.
Entre os medicamentos citados nos registros estão a semaglutida (vendida como Ozempic e Wegovy), a liraglutida, a dulaglutida e a tirzepatida (comercializada como Mounjaro). O levantamento não diferencia casos envolvendo medicamentos adquiridos com prescrição médica daqueles relacionados a uso irregular, como produtos manipulados ou contrabandeados.
Casos graves representam cerca de 1% das notificações registradas entre 2023 e 2025 e incluem pancreatite, inflamação do pâncreas que pode comprometer a digestão e o controle do açúcar no sangue, além de astenia e 71 registros de “experiência de morte iminente”.
Nos últimos três anos, período em que as quatro substâncias estavam disponíveis no mercado brasileiro, a semaglutida respondeu por 69% dos eventos adversos notificados, enquanto liraglutida e tirzepatida concentraram 15% cada.
A Anvisa destaca que a investigação de notificações não significa, automaticamente, que o medicamento seja a causa da morte. Para estabelecer uma relação direta, são necessárias análises clínicas e científicas detalhadas, que considerem o histórico do paciente, uso de outros medicamentos, qualidade das informações registradas e a procedência do produto utilizado. A agência reforça ainda que os registros não devem ser interpretados como prova de que o medicamento provoca o problema ou de que não é seguro.
Nos últimos anos, a Anvisa também emitiu alertas sobre possíveis riscos associados a essas medicações, incluindo pancreatite, uso antes de sedação e casos raros de alterações visuais. A agência afirma que segue monitorando os dados para avaliar a necessidade de novas recomendações ou atualizações em bula.
As farmacêuticas Novo Nordisk e Eli Lilly, fabricantes das principais substâncias citadas, foram procuradas para comentar os dados. Até o momento, não houve posicionamento oficial divulgado.
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