Dando continuidade a apresentação de dados biográficos sobre vultos históricos e personalidades de destaque naturais de Prados ou que aqui criaram raízes, assim como cidadãos que deram o nome a ruas do Município, nosso biografado desta coluna é o Prof. Antônio Américo da Costa, dedicou-se ao magistério e Direção do Grupo Escolar por 37 anos, foi também o fundador da “Lira Ceciliana”, um dos orgulhos de Prados e, à frente dessa corporação, durante meio século.
O professor Antônio Américo da Costa nasceu a 23 de março de 1867, na Fazenda do Carandaí, pertencente a seus avós maternos e situada, àquele tempo, no distrito de Prados, município de São José del-Rei. Era filho legítimo de José Esteves da Costa e de D. Tertuliana Augusta de Carvalho.
Transferindo-se a família para o arraial, onde José Esteves passou a exercer a sua profissão de alfaiate, Antônio Américo ingressou na escola primária, que cursou de 1874 a 1879. Em 1836, matriculou-se na Escola Normal de São João del-Rei, pela qual se diplomou, em 1889, após um curso brilhante.
Regressando à terra natal, dedicou-se, desde logo, ao magistério, a que serviu, com dedicação e eficiência, durante 37 anos consecutivos, quer como professor, quer como diretor do grupo escolar.
Alcançado, em 1918, pela “lei das incompatibilidades” (era ele, então, diretor do grupo e ali lecionavam membros de sua família), preferiu destituir-se do cargo, passando a simples professor, a aceitar tentadores oferecimentos para dirigir grupos de cidades melhores que Prados, unicamente para não abandonar a terra que tanto amava.
Amigos seus, temendo pela sua saúde já bastante combalida, forçaram-no a pleitear a aposentadoria, sendo-lhe esta concedida em 1927.
Isso, porém, não constituiu motivo para que o abnegado mestre cruzasse os braços, afastando-se das lidas do magistério. Recebeu – angariou, mesmo – alunos particulares, a quem lecionou até as proximidades da morte, sempre carinhosa e desinteressadamente. Os jovens pradenses que se decidiam a ir cursar o ginásio ou a escola normal procuravam, antes, as luzes do velho professor, que, hábil e conscientemente, os preparava para os exames de admissão, nos quais obtinham, sempre, brilhante êxito.
Antônio Américo foi, também, um excelente músico. Seu violino tinha um som “diferente”, que denunciava o seu temperamento de artista; suas inspiradíssimas composições musicais, quer no gênero sacro como no profano, extasiavam e ainda extasiam todos quantos a ouvem. Foi fundador da “Lira Ceciliana”, um dos orgulhos de Prados e, à frente dessa corporação, durante meio século, fê-la primorosa, tanto na justeza das execuções como na impecável escolha de seus programas.
Possuidor de caráter ilibado e de grande e variada cultura, era ele sempre instado a opinar sobre esse ou aquele assunto cuja solução parecia intricada ou difícil. E a sua opinião, ponderada e serena, era invariavelmente acatada e seguida, sem que jamais houvesse provocado dissabores aos que a procuravam.
A imprensa periódica local deve-lhe inestimáveis serviços, desde o aparecimento da “Cidade de Prados”, de que foi um dos fundadores, até pouco tempo antes de falecer:
No tribunal do Júri, por muitos anos, advogado dos réus pobres, a quem defendia sem nenhuma remuneração.
O seu falecimento, ocorrido a 5 de dezembro de 1944 cobriu de luto, não só a totalidade dos pradenses, mas, também, o numerosíssimo círculo de amizades que possuía fora das fronteiras de sua terra.
“Apagou-se a luz de Prados” – escreveu o Professor Lara Resende, ao noticiar, na imprensa de Belo Horizonte, o desaparecimento do ilustre e saudoso mestre Antônio Américo.
( Vale, Dario Cardoso. Mémoria Histórica de Prados)
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