Entre o fim de julho e o início de agosto, Prados voltou a viver dias especiais com o seu tradicional Festival de Música, que chegou à 47ª edição reafirmando o lugar que ocupa na história da cidade, da região e do país. Em meio a uma programação intensa e gratuita, um momento em especial mais uma vez encantou o público e emocionou quem esteve presente, o teatro.
Na tarde do último sábado, 1º de agosto, a sede do Gato Preto ficou pequena diante de tantas famílias, crianças e admiradores que foram prestigiar o teatro infantojuvenil do festival, um dos eventos mais aguardados e, ano após ano, um dos mais marcantes.
Com a participação de dezenas de crianças e adolescentes, o espetáculo conduziu o público por uma narrativa sensível e cheia de significado, guiada pelo jovem ator Kauã Makenze, que teve o papel de conduzir a história com leveza e carisma. Tudo isso envolvido pela atmosfera criada pelos músicos do festival e pela voz doce e afinada da professora Ninorrose Patrocínio, que ajudaram a dar vida e emoção a cada cena.
Com roteiro e direção de Adriele Gehring, a peça demonstrou mais uma vez um olhar atento e respeitoso com a cultura pradense. Quem não a conhece poderia facilmente acreditar que se trata de alguém da terra, tamanha a sensibilidade dessa paulista em captar a essência de Prados. Neste ano, o espetáculo trouxe como base o livro “As Aventuras de Gui e Omar”, da querida Dona Nídia, professora e escritora homenageada do festival, construindo uma história lúdica que dialoga diretamente com a cidade e suas memórias.
A homenagem se estendeu também aos maestros Tony e Adhemarzinho, fundadores do festival, figuras fundamentais para que esse legado cultural chegasse até aqui. Personagens que ganharam vida no palco pelas mãos de jovens talentos: Tony jovem interpretado por Pedro Papa, Adhemarzinho por Pedro Campos, enquanto Eduardo, neto do maestro Tony e hoje um dos organizadores do festival, emocionou ao representar o avô em sua fase mais experiente. Dona Nídia também foi retratada em dois momentos, com Isabel dando vida à versão mais madura e Paula Oliveira à versão menina, em uma construção delicada e simbólica, um bailar que encantou.
Em conversa com o Prados Online, a diretora agradeceu toda a sua equipe e destacou o desafio e a beleza do processo. Em apenas nove encontros de trabalho, foi possível construir um espetáculo que equilibra emoção, leveza e momentos de humor, especialmente pensados para o universo das crianças. Adriele reforça a importância de um teatro que dialogue com a cultura local, que gere identificação e fortaleça o cuidado com aquilo que é de Prados. Ao longo dos ensaios, a presença de convidados como Ana Paula, filha de Dona Nídia, além de Matheus, Átila e Daniela, contribuiu para enriquecer ainda mais a vivência dos pequenos atores.
Para quem acompanhou de perto, a experiência foi mais uma vez marcante. Entre o olhar atento do jornalista e a emoção de pai, Rodrigo Oliveira, editor-chefe do Prados Online, viu no palco não apenas uma peça, mas um encontro de gerações, memórias e possibilidades. A ligação pessoal com a obra também se fez presente, já que guarda com carinho um exemplar autografado de Dona Nídia, recebido em mãos durante uma entrevista realizada em 2013, o que tornou o momento ainda mais especial.
A sede do Gato Preto esteve completamente lotada, reunindo pessoas de todas as idades em uma tarde que celebrou a arte, a educação e a cultura local. O sucesso do evento reforça a importância do trabalho conjunto entre os organizadores do festival, a Lira Ceciliana e o próprio Gato Preto, que ao longo do ano tem se consolidado como um dos principais espaços de promoção cultural em Prados.
Ao final, mais do que aplausos, o que se viu foi um clima de confraternização. Famílias seguiram para a praça, prolongando aquele sentimento bom que a arte é capaz de despertar. Em conversas espontâneas entre os presentes, ficou muito claro para nós do Prados Online o desejo dos presentes de que momentos como esse possam, no futuro, se estender ainda mais, com uma integração entre iniciativas culturais que mantenham a praça viva e ocupada, uma sugestão para que organizadores do festival de música e do festival cultural, possam integrar ações e ampliar a programação.
Essa foi, acima de tudo, uma tarde de encontros, de memórias e de sementes plantadas. Porque, se nem todos seguirão o caminho do palco, certamente levarão consigo algo maior, a sensibilidade, o cuidado e o olhar transformador que só a arte é capaz de oferecer.
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