Prados viveu, no último sábado, um daqueles dias divisores de águas, cujo eco se fará ouvir pelas próximas gerações. Poderia ter sido apenas mais uma jornada de inverno, fria, de céu límpido e contornos nítidos, mas revelou-se um manifesto de identidade. Foi o momento de celebrar raízes, erguer pontes sobre o tempo e vislumbrar o futuro sob a égide dos ensinamentos dos antigos. Aquele foi, essencialmente, o sábado da cultura tropeira.
Como antecipado pelo Prados Online, os bastidores ganharam vida ainda na sexta-feira, com o preparo minucioso de meia tonelada de toucinho. No dia seguinte, o cenário se completou com o aroma da linguiça, do arroz, do mexido, da mandioca e do reconfortante café tropeiro. Para esses homens bravos, que desbravaram fronteiras e moldaram a geografia regional, o evento significou mais que um reencontro. Foi a consagração de um modo de vida que edificou a história local, uma herança outrora nascida do suor e da subsistência, hoje convertida em patrimônio cultural partilhado com a comunidade.
O Parque de Exposições de Prados converteu-se no epicentro dessa celebração. Um público expressivo preencheu o espaço ao longo do dia, dividindo-se entre a culinária rústica do rancho, a trilha sonora dos shows e as manifestações folclóricas. Tudo transcorreu sob o olhar atento e reverente do Sr. Tilica, o tropeiro mais antigo da cidade e uma figura central da data, sobre quem a história se debruçará logo adiante.
Antes, contudo, impõe-se o registro do rigor estético e da atmosfera do rancho. Do calor do fogão a lenha aos caldeirões dispostos no fogo de chão, cada detalhe dialogava com as traias minuciosamente penduradas. Próximo ao almoço, a tropa conduziu os animais ao repouso. Se, em décadas passadas, este momento representava o breve descanso após marchas exaustivas, neste sábado a pausa dos cascos foi o sinal verde para uma celebração em grande estilo.
O protocolo ganhou contornos de solenidade quando Kariny conduziu o Sr. Tilica ao palco, com a deferência que se confere a uma instituição viva. Líderes políticos e comitivas somaram-se ao espaço, compondo um corpo de autoridades de peso para chancelar o ato histórico.
Entre as lideranças institucionais, destacaram-se o prefeito Rildo Costa e o secretariado municipal em peso, com menção especial a Thiago Narciso, secretário de Cultura e um dos principais artífices da engrenagem do evento, além dos vereadores André, Dilma e Lourival. O governo estadual fez-se presente por meio de Patrícia Moreira, subsecretária de Turismo de Minas Gerais. O ecossistema regional e de fomento esteve representado por Marcus Januário, gestor do Circuito Trilha dos Inconfidentes, e por Guilherme Soares, chefe de gabinete do deputado estadual Grego da Fundação, responsável por representar o parlamentar. Completaram o dispositivo oficial o ex-vice-prefeito de Ritápolis, Bruno, e as lideranças do terceiro setor, César Cabeção e Emiliana Ladeira, representando, respectivamente, a Apae e a Amai.
A condução da cerimônia coube ao radialista Zezinho. O ponto alto da validação histórica ocorreu logo na abertura, com o reconhecimento da tradição, agora chancelado pelo Estado e gravado em metal. Coube ao Sr. Tilica, na condição de decano dos tropeiros, a honra de entregar a Guilherme Soares a placa da lei estadual que eleva a festa ao status de patrimônio cultural do povo de Minas Gerais. O gesto selou a gratidão de Prados à articulação política do deputado Grego, amigo de nossa cidade, que viabilizou a aprovação da matéria legislativa. A honraria será destinada ao gabinete do parlamentar, enquanto uma cópia idêntica ficará perenizada nas dependências da Prefeitura de Prados.
O fluxo de reconhecimentos prosseguiu com o prefeito Rildo Costa entregando o troféu comemorativo da edição à subsecretária Patrícia Moreira. Ato contínuo, a mesma honraria foi conferida ao deputado Grego, recebida por seu representante.
A liturgia do evento reservou momentos de profunda justiça histórica ao laurear os grandes homenageados da noite entre os homens de lida, que foram os tropeiros Roberto Miranda do Nascimento e Hélio Possa.
A sensibilidade da organização estendeu-se também aos bastidores da máquina pública. Em um dos momentos mais aplaudidos, Ladinho, servidor municipal com quase duas décadas de dedicação silenciosa na montagem de eventos estruturais da cidade, recebeu o troféu em nome do funcionalismo público. O prêmio simbolizou o esforço invisível de equipes que operam na pré e na pós-produção para garantir a entrega logística que a população exige.
A premiação estendeu-se ainda a figuras de relevo comunitário, como o ex-vereador Cesar, a vereadora Dilma e a diretora da Apae e membra da diretoria da Amai, Emiliana Ladeira, além de Zé do Jorge e da linha de frente que sustentou o rancho desde a sexta-feira, os tropeiros Célio, Elmo, Dico, Adriano, Nô, Irineu e Rodrigo.
E quanto ao Sr. Tilica, a memória viva daquela terra? Além do papel de embaixador na entrega da lei, ele foi agraciado com seu próprio troféu. Uma justa homenagem a quem não apenas abriu caminhos físicos na poeira das estradas, mas pavimentou a própria identidade cultural do município.
A partir dali, a tradição fundiu-se com a festa. Enquanto os tropeiros mantinham o rancho ativo, com o Sr. Tilica supervisionando de perto o trabalho de seu filho, Condinho, sanfoneiros locais inauguraram a programação musical, que se desdobrou em quase dez atrações e avançou pela madrugada.
No balanço final, Prados assegurou o maior de todos os prêmios: a certeza jurídica e cultural de que sua história permanecerá blindada contra o esquecimento, transmitida de geração em geração por meio de laços, memórias e, agora, sob o manto da lei.
Os louros deste dia histórico pertencem aos tropeiros, ao prefeito Rildo Costa, ao secretário Thiago Narciso, às comissões organizadoras, aos homenageados e às lideranças presentes. Acima de tudo, pertencem a cada cidadão que compareceu ao Parque de Exposições, convertendo-se, individual e coletivamente, em testemunha e parte viva da história.
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