Em breve, começará a circular pelo mundo um tapete artesanal de arraiolo, encomendado pela Casa dos Açores de Minas Gerais a tecedeiras do distrito de Jacarandira (cerca de 45km distante da cidade de Resende Costa). “Este tapete não é para colocar no chão, mas vai ser um cartão de visita, um marketing do trabalho das tecedeiras de arraiolo de Resende Costa que carregarei comigo para onde for”, garante o jornalista, advogado e empresário Claudio Motta, presidente da Casa dos Açores – MG.
O tapete da Casa dos Açores é obra das três irmãs tecedeiras Robsara, Rosânia e Rosemery. Robsara Andrade Sousa é tecedeira de arraiolo há mais de 40 anos. Antes de morar em Jacarandira, ela começou em Belo Horizonte, fazendo (e ensinando) desenhos (riscos) para tapete, a primeira etapa do processo de produção que inclusive exige muitos cálculos matemáticos (as outras fases são contorno, enchimento, franja e engomação).
Já Rosânia Andrade Sousa aprendeu com a irmã na mesma época, chegando a representar uma tapeçaria de Belo Horizonte em Jacarandira. A terceira das irmãs, Rosemery Filimena Andrade Sousa, que não pôde comparecer ao encontro, também aprendeu com Robsara e está na atividade há mais de 30 anos. Outras que justificaram a ausência foram as tecedeiras Aparecida Maria de Andrade Silva e Antônia Maria de Andrade.
Este repórter do JL viajou até Jacarandira, acompanhado da assistente social e vereadora Clebia Maria Resende e do professor de geografia Adriano Valério Resende. Na ocasião, conversei com as tecedeiras de arraiolos presentes ao encontro.
A aposentada Ivonete das Dores de Souza está no ramo do arraiolo há mais de 30 anos, atuando entre o município de Passa Tempo (onde aprendeu o ofício) e Jacarandira onde vive. Mesma situação é a de Raika Mirela Gonçalves Alves, inclusive com o mesmo tempo na atividade; habilidade esta que transmitida por familiares.
Com cerca de 35 anos de experiência em arraiolo, Áurea Aparecida da Penha Sousa transitou entre Ouro Fino (município de Oliveira) e Jacarandira. Aprendeu com familiares e acabou por virar “roceira” devido à falta de trabalho com arraiolo. Mesma situação é a de Madaliene de Sousa, impossibilitada de colocar a serviço do arraiolo sua experiência de cerca de 39 anos, herdada da família. Nos tempos áureos, buscava serviço em Passa Tempo.
O auge do tapete de arraiolo em Passa Tempo (entre final dos anos 1970 e a década de 1980) também fez parte da vida de Lúcia Aparecida de Andrade Resende, a Lucinha, com cerca de 50 anos de vivência no ramo. Já Anaderge Maria da Silva está há mais de 30 anos no segmento de arraiolos, graças ao aprendizado obtido na Associação Nossa Senhora do Rosário que já existiu em Jacarandira.
Auge em Jacarandira
Um traço comum marca a vida dessas experientes mulheres de mãos hábeis: interromperam a atividade por falta de encomenda e estão prontas a retomar o trabalho tão logo os clientes se apresentem. A maioria delas trabalhou para lojas de tapete arraiolo em Passa Tempo (distante 18km de Jacarandira) na década de 1980. Lojas de Passa Tempo inclusive promoveram curso de tecedeiras em Jacarandira para estimular o trabalho terceirizado.
Lucinha era uma das pessoas que buscavam a matéria-prima dos tapetes nas lojas de Passa Tempo para distribuir a tecedeiras de Jacarandira. Até que começaram a chegar encomendas avulsas de outras cidades, o que levou as tecedeiras a criarem uma associação própria em Jacarandira que chegou a ter 120 filiados; e para isso elas tiveram o apoio da extensionista Doralice Figueiredo de Moura, da EMATER de Minas Gerais. A Associação Nossa Senhora do Rosário durou cerca de cinco anos porque as encomendas começaram a escassear e as tecedeiras começaram a ter prejuízo com gente que não pagava, acumulando grande número de cheques sem fundo.
Em 2016, houve uma tentativa de retomar a produção artesanal de tapetes arraiolos em Jacarandira por intermédio de Clebia Maria Resende, do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). Assim, foram realizadas várias oficinas, lideradas por Robsara, e fornecida a matéria-prima necessária, com cada tecedeira ficando com a receita do que produzia. Chegou a ser realizada uma Feira de Arraiolo em evento municipal organizado pelo CRAS na Escola Estadual Conjurados. Mas o trabalho das tecedeiras não teve sequência porque faltavam clientes.
Janela de esperança
Quando soube da existência desse núcleo de tecedeiras de arraiolo em Jacarandira, o presidente da Casa dos Açores – MG, Claudio Motta, não hesitou em encomendar o tapete institucional, que ele usará como meio de divulgação e de difusão do trabalho dessas mulheres, tanto junto à área internacional do Governo de Minas quanto em seus contatos no Brasil e no exterior (em Portugal, na Região Autônoma dos Açores e nos estados brasileiros e nos países onde há Casa dos Açores).
Outra forma de valorização do trabalho artesanal foi a encomenda da bandeira da Casa dos Açores por Claudio Motta. A bandeira foi bordada por Cleusa Resende, 80 anos (ela borda desde os 14 anos), a tempo de acompanhar a primeira Missão Empresarial aos Açores, que embarcou no sábado (18 de abril) para Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, e desenvolverá uma agenda diversificada na semana de 20 a 24 de abril. creditos: jornaldaslajes.com.br e José Venâncio de Resende
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